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o céu ganhou mais um anjo

terça-feira, 19 de março de 2013

Irmãos Petropolitanos e do Estado Do Rio de Janeiro imprimam essa reportagem e guarde junto ao titulo e leia antes de votar em 2014.

Após enterrar familiares, moradores trabalham para encontrar desaparecidos

POR Alessandro Lo-Bianco
Rio -  Enquanto a busca pelos desaparecidos em Petrópolis era retormada na manhã desta terça-feira pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil, a população amargava a dor de enterrar os familiares, vítimas da chuva que castigou a cidade no último domingo.

Pelo menos 27 pessoas morreram no município. Onze eram crianças. O número de vítimas fatais pode passar de 50, calculam agentes da Defesa Civil, já que 20 pessoas ainda estão soterradas e há muitos registros de pessoas desaparecidas na noite do temporal.

No total, há 1.466 desalojados (que tiveram a moradia danificada) ou desabrigados (que perderam totalmente a casa). Há 120 bombeiros procurando desaparecidos em vários. Nesta terça-feira, Luciano Barros enterrou o segundo filho em menos de 24 horas.
casa com vida, mas eles morreram duas horas depois nos meus braços, esperando os bombeiros, que demoraram quatro horas para chegar. Ao vê-los (bombeiros), corri para tentar resgatar meu terceiro filho, contra a vontade deles e consegui salvá-lo”, contou.

Forte comoção também marcou o velório de agente da Defesa Civil Paulo Roberto Figueras, 38 anos, que morreu soterrado após salvar uma criança.

Segundo a amiga Juliana Araújo, salvar vidas sempre foi o maior motivo da vida de Figueras, que também era presidente do grupo de voluntários Anjos da Serra.
“Ele dizia que nada lhe dava mais prazer do que salvar pessoas que ele nem conhecia. Ele salvou dezenas na tragédia de 2011, e queria repetir o trabalho agora. Fica a lembrança do sorriso dele tirando a primeira criança dos escombros”, disse Juliana.

Na capela ao lado, familiares choravam a morte de Nilton Pereira Fonseca, 47 anos. O jardineiro foi surpreendido por um desabamento ao tentar ajudar a Defesa Civil nos resgates.

“Ele escutou gritos de socorro, pegou uma lanterna e disse que estavam precisando dele. Ele salvou três meninas e disse que tinha mais uma. Dissemos que era perigoso, e para que ele esperasse. Mas não adiantou. Ele virou as costas e disse que as crianças não podiam esperar. Meu irmão é um anjo que, infelizmente, deixou cinco filhos para salvar a vida dos filhos de outras pessoas e voltar para o céu”, disse o irmão Nelson Pereira, 57 anos.Jovem vira herói após salvar vidas e encontrar vítimas

Morador do bairro Quitandinha desde que nasceu, Igor Nascimento tem apenas 20 anos, mas já ganhou o respeito dos moradores mais velhos do bairro.
O jovem desceu de sua casa para ajudar as vítimas do desabamento, mas foi impedido pela Defesa Civil de chegar nos escombros, quando a forte chuva e a falta de luz interromperam momentaneamente o resgate no domingo.

“Eles me impediram de descer, mas como conheço esse mato todo, dei a volta e consegui entrar com uma lanterna por outro terreno sem a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros me verem. Escutei o gemido de um idoso, que estava na beira do rio agarrado por uma árvore. Gritei pedindo socorro, mas gritavam pedindo para eu voltar, que ele não tinha como chegar aonde eu estava. Consegui tirar o senhor da árvore e realmente não tinha como voltar. Desci com ele no colo pela ribanceira e consegui chegar na estrada, onde parei um carro que o levou com vida para o hospital”.
Igor ainda salvou uma jovem de 15 anos e ajudou a localizar dois corpos nesta terça-feira. “Acordei e resolvi sair sozinho pelo mato em busca dos desaparecidos. Foi quando encontrei dois corpos. Liguei, orientei os bombeiros e eles conseguiram nos achar.”

“Não podemos esperar”

Um grupo de 20 moradores está praticamente sem dormir há dois dias. Comovidos pelo desespero de quem ainda não achou seus familiares, eles desbravaram a mata e acabaram achando uma menina em um córrego.

“Estamos aqui porque conhecemos o local e sabemos entrar onde o resgate não consegue. A correnteza arrastou pessoas para dentro da mata. Já achamos uma e, se o Corpo de Bombeiros ceder o equipamento que estamos pedindo, acharemos mais”, disse o pedreiro Luis Henrique Vieira.

Em meio a dor, ladrões roubam casas

Uma série de furtos está deixando os moradores do bairro Quitandinha ainda mais apreensivos.

“Minha casa está destruída e meus dois filhos estão mortos. Mesmo assim, ao retornar ao local para recuperar as lembranças, tive a surpresa de que a minha casa foi toda saqueada. Roubaram objetos de valor, roupas, comidas, tudo. É muita maldade”, contou Luciano Santos de Barros.

Uma moradora que prefere não se identificar acusa moradores do próprio bairro. “Como em todo lugar, a região também abriga traficantes. Mesmo com essa situação de desgraça, eles estão se aproveitando e roubando casas e objetos dos escombros”, diz.

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